quinta-feira, 20 de setembro de 2012

É popular ou não?

Há tempos venho observando a rejeição das pessoas pelo o que é popular. Epa!!! Como se pode ser popular e rejeitado pelo povo ao mesmo tempo? Eis aí a questão, para a qual busco resposta.
 Minha jornada começa com a ajuda dos meus amigos Michaelis e Aurélio, que  por sinal são bastante populares no Brasil. Há algumas divergências entre os dois, mas ambos acabam chegando á conclusão que popular é algo comum que é conhecido pelo povo e agrada a este.
Mas essa resposta cria mais dúvidas na minha cabeça, pois me lembro do jiló. Pelo menos aqui no Brasil, todos o conhecem, mas poucos gostam. Sendo assim,não posso considerar o jiló como popular?E a denominada Música Popular Brasileira (MPB)? É ou não é popular?
 Para me ajudar nessa questão sobre a MPB, vou á procura de outro amigo. O Oráculo ( mais conhecido como Google ) me passa uma lista com vários nomes de artistas da chamada MPB. Para não ocupar muito espaço, citarei apenas alguns: Hermeto Pascoal, Paulinho Pedra Azul, Elomar, Xangai, Maria Bethânia, Diana Pequeno, Nana Caymmi.
 De acordo com o Oráculo e outras fontes (rádios, jornais, lojas especializadas, etc), os acima citados são cantores e cantoras de música popular brasileira, o que significa que eles cantam músicas que a maioria dos brasileiros conhecem e gostam.
 Sendo assim, na próxima vez que você for fazer um churrasco em sua casa e convidar seus colegas lá da obra e seus vizinhos, faça o seguinte; coloque aquelas caixas de som imensas no quintal e deixe a alegria da confraternização rolar ao som de Hermeto Pascoal, Maria Bethânia, Nana Caymmi, Elomar, etc. Sabe o que vai acontecer?  Pouco tempo após o som começar,  um dos convidados vai perguntar se você não tem um cd de pagode, funk ou sertanejo e caso a resposta seja negativa, para ele não é sacrifício ir em casa e buscar seus maravilhosos cd's. Isso, se já não tiver alguém ali com um pen drive de 4Gb com quase mil músicas(pagode, axé, sertanejo, funk carioca,Quero tchu,entre outras "maravilhas") baixadas do 4shared. Pode acontecer também um milagre e todos irem embora deixando, só para você e sua família, toda a cerveja e a carne, que eles também ajudaram a comprar. Caso isso aconteça, use essa estratégia nas próximas vezes em que você for fazer um churrasco.
 Mas de acordo com Michaelis e Aurélio, popular não é algo que a maioria do povo conhece e gosta? Então, quem foi o imbecil que rotulou Elomar, Xangai, Maria Bethânia( essa é como o jiló, todos conhecem, mas poucos gostam) como cantores de música popular brasileira? Seguindo a definição lexicográfica da palavra popular, MPB deveria ser a sigla usada para se referir ás músicas cantadas por Latino, Mc Créu, Michel Teló, Paula Fernandes, Roberta Miranda, Gustavo Lima, entre outros. Esses, realmente, são populares, o que comprova a máxima de Nelson Rodrigues que disse que "toda maioria é burra". Inclusive o próprio Nelson que foi e é uma maioria no meio jornalístico e no teatro.
 Prosseguindo em minha busca pela resposta para a questão levantada no início desta postagem, deixo o mundo musical e entro no mundo dos programas televisivos. Aqui, pelo que vejo, a coisa é bem mais confusa. Para saber se um programa de tevê é ou não popular é preciso medir sua audiência e isso é feito por institutos de pesquisas, sendo o mais conhecido, o IBOPE.
 Recorro novamente á ajuda do Oráculo e descubro que os programas mais populares são os mais difamados pela população e o mais impressionante é o fato da maioria dizer que não assiste tais programas.    Agora, é que meu cérebro ficou totalmente bagunçado. Se a maioria não gosta e nem assiste Faustão, Big Brother, A Fazenda, Novelas (pois dizem que é indecente), como essas merdas chegam aos primeiros lugares em audiência? Estaria, o IBOPE e outros institutos especializados manipulando as pesquisas ou o povo tem vergonha de assumir que adoram porcarias? Para descobrir, preciso aprofundar mais nas investigações e parto para o empirismo.
 Me disfarço (calça jeans, camisa polo e tênis de marca do Paraguai) e fingindo se tratar de uma simples visita vou adentrando nas residências de amigos, parentes e vizinhos, exatamente na hora dos programas de maior audiência e descubro que o povo realmente assiste aquilo que dizem não assistir. Nesse caso a palavra popular está realmente de acordo com a definição dada por Aurélio e Michaelis. Os programas populares são conhecidos e queridos pela maioria. Mas se gostam, por que têm vergonha de assumir isso?
 Pergunto á uma amiga( que pediu para não ser identificada ) por que ela assiste á algo que não gosta. De acordo com ela, é a única coisa que tem para ver. Peço que me empreste o controle remoto e começo a mostrar a ela outros canais, apresentando lhe outros programas. Porém, minha amiga sem sequer olhar para a tevê, me pede que eu a devolva o controle, pois precisa saber quem será eliminado na Dança dos Famosos. Complicado, não?
 Tem também aqueles que dizem que antigamente os programas de tevê eram mais decentes. Só se for antes dos anos 1970, pois desde que me entendo por gente, a putaria e baixaria rolam solta na telinha.
 E pra ser sincero, não vejo nada de mal em novelas que contenham cenas sensuais ou programas com pessoas semi ou completamente nuas. E pelo jeito, a maioria pensa como eu, já que a sensualidade e a putaria é o conteúdo dos programas de maior audiência. Acho muito mais agradável que assistir a filmes como Jogos Mortais, Rambo, Os Mercenários e outros "esporram sangue" de Hollywood.
 Continuando no mundo da tevê, me deparo com outra questão. Para que algumas pessoas contratam serviço de tevê paga se continuam a assistir Rede Globo, Record e SBT? Muitos podem até dizer que é pela qualidade da imagem e eu até concordo quando se assina o pacote mais básico e consequentemente o mais barato. Mas o que eu não entendo, são aquelas pessoas que contratam pacotes mais completos, pagam um absurdo pelo serviço e sabe o que assistem?
 Novelas da Globo, Faustão, Sessão da Tarde, Rodrigo Faro, Chapolin e todos os outros que podemos ver sem precisar contratar operadoras.
 Chego ao fim desta jornada concluindo que popular é realmente aquilo que agrada a maioria, MPB não tem nada de popular e essa sigla deveria se usada para as músicas de cantores como Leonardo, Amado Batista, Paula Fernandes, etc. Nesse caso a sigla seria as iniciais tanto de "Música Popular Brasileira" quanto de "Muita Porcaria e Bosta".  
 Chego a tais conclusões nessa jornada, porém a questão inicial obtém uma resposta que me leva á outra questão. As pessoas não rejeitam o popular, mas não admitem o gosto por ele.  Por que?
 Para responder a essa pergunta, será necessário uma nova jornada que ficará para um futuro não tão próximo.
       
Abraço e até a próxima postagem.

                            Marcelo Maia

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A origem do nome

Para mim, uma das coisas mais difíceis nessa vida é nomear o que quer que seja. Na escola, quando a professora pedia que a classe fizesse uma redação, eu era sempre o último a entregar o exercício. Não que eu demorasse a criar e concluir o texto. A causa da demora era sempre o maldito título.
Certa vez, a professora pediu que fizéssemos uma redação que tivesse como enredo a vida de um pato. Pensei por alguns minutos e rapidamente criei a estória de um pato que era muito infeliz, pois seus pais foram mortos para serem servidos, assados, em um banquete e ele sabia que teria o mesmo destino.
Mas demorei tanto a achar um nome para a redação que acabei esquecendo o que havia escrito. E diante da pressão da professora, que já estava nervosa com minha demora e dizia que não me daria nem mais um segundo, intitulei a "saga" do pato com o primeiro nome que me veio á cabeça naquele momento: "O Cachorro Feliz". E eu só fui lembrar que havia escrito sobre um pato infeliz e não sobre um cachorro feliz, quando dias depois a professora nos entregou as redações com as notas. E o mais interessante foi eu ter conseguido a nota máxima. Das duas, uma; ou ela não lia nossas redações ou concluiu que "cachorro feliz" era uma metáfora para "pato infeliz".
Essa dificuldade em dar nome a tudo, já deve ter causado constrangimento em muitos gatos e cachorros, que minha família ganhava e eu (não sei o porquê) insistia e até chorava para escolher o nome dos pobres bichinhos. Já tive um cãozinho chamado Blósfite, uma cadela com o nome de Furíncula, mas acho que o que mais foi criticado por seus amigos, foi um gato que eu ganhei de um vizinho.
 Eu tinha 7 anos e na época passava uma novela chamada Locomotivas, que tinha um personagem que eu gostava que era o Netinho. Mas achei esse nome horrível para um gato e quis homenagear o ator, e que fique bem claro que eu não o considerava um gato. Perguntei á minha irmã mais velha o nome do ator e ela, assídua leitora da revista Sétimo Céu, rapidamente me informou que era Dênis Carvalho.
 Meu gato então teria esse nome, se não fosse um amigo de meu pai, metido a sabichão, que disse que se o ator descobrisse poderia me processar por uso indevido de seu nome. Eu fiquei triste e com medo, acreditando que Dênis Carvalho pudesse realmente processar um pobre garotinho de 7 anos, só por causa de um gato. Contei para um colega mais velho ( acho que ele tinha 10 anos) e ele sugeriu que eu mudasse algumas letras do nome do ator, assim eu faria a homenagem e não seria processado. Gostei da ideia, fiz algumas alterações e pronto, meu gato ganhou o lindo nome de Pênis Caralho.
O pior era que a gata de Marina, minha vizinha chamava-se Xana. E sempre que Xana entrava no cio, Pênis Caralho chegava junto. O problema eram os comentários maldosos que a molecada fazia:
"O Pênis do Marcelo comeu a Xana da Marina." ou "A Xana da Marina está no cio e o Caralho do Marcelo já vai cruzar com ela de novo". E esses comentários constrangeram tanto a mãe da Marina, que ela resolveu dar a gata da filha para um parente que morava bem longe. Ou seja, deu a Xana para outro e deixou o meu Pênis Caralho triste e solitário.
E essa dificuldade que eu tenho em nomear as coisas, me acompanha até hoje. Este blog é a prova disso.. Há quase dois meses estou planejando criar um blog novo, para expor algumas ideias, cujo conteúdo não é compatível com os outros dois que já possuo. Depois de tentar por conta própria encontrar um nome adequado e não ter tido êxito, resolvi procurar ajuda nos livros. Afinal, ler é expandir a mente.
Li grandes clássicos da literatura brasileira e mundial, livros de filosofia, física, biologia e até as revistas Playboy e Hustler. Como nenhum deles resolveu meu problema, resolvi buscar ajuda espiritual.
Meditei, orei, rezei o terço, participei da "Corrente do Desencosto", fiz despacho, procurei resposta na psicografia, desenhei um pentagrama enorme no meu quarto, ouvi músicas de trás pra frente, tomei o tal chá do Santo Daime e até coei café na minha cueca, que estava no cesto de roupas sujas. Mas, foi tudo em vão.
Então cheguei á conclusão que eu deveria desistir dessa merda de blog. Porém, muito antes de Hebe Camargo ter sua primeira menstruação e o primeiro pentelho de Oscar Niemeyer brotar em sua virilha, a criação deste blog já estava escrito nas estrelas, na lua, no cometa Halley e até no ex planeta Plutão.
E hoje pela manhã, as forças universais me levaram até o sofá, colocaram minha mão no controle remoto e fizeram com que meus dedos pressionassem os números da sorte, 1 e 2, que representam na Numerologia Belorizontina, a poderosa Rede Globo, que naquele momento exibia um programa chamado "Encontro com Fátima Bernardes".
Em pouco menos de um minuto vendo aquilo, um dito popular me veio á cabeça: "Quando mais eu rezo, mas assombração me aparece". No mesmo instante, em que lembrei do famoso ditado, uma luz iluminou meu neurônio criador de títulos e nomes para blogs.
 Mas é claro, que esse ditado não seria um bom nome para o meu blog. Eu teria que usar a mesma técnica que usei aos 7 anos para ludibriar Dênis Carvalho. Não que alguém pudesse me processar por usar o ditado. O problema é que, além de não condizer com o conteúdo que aqui será postado, o popular refrão poderia ser levado ao pé da letra por algumas pessoas, que acreditariam que se trata de um blog que mescla religião com lendas urbanas.
Pense comigo; um blog que se chama "Quando mais eu rezo, mais assombração aparece", pode criar em alguns a ideia de que as postagens serão mais ou menos assim;
"Ontem, após rezar (versão evangélica; orar) bastante na missa (v.e: culto) e me despedir do padre (v.e: pastor) fui para casa. No caminho, me deparo com um lobisomem, que tenta me atacar. Eu corro e consigo escapar dele. Paro em uma esquina e rezo (v.e: oro) agradecendo pelo livramento. Assim que termino a reza (v.e: oração), eis que me deparo com um vampiro, montado em uma mula-sem-cabeça, corro muito e consigo chegar em casa. Antes de dormir, rezo( você já sabe a v.e) agradecendo aos livramentos e pedindo proteção, mas assim que o sono chega e eu começo a sonhar, adivinhe quem está nos meus sonhos. Ele mesmo, o querido e terrível Freddy Kruegger. Acordo e decido que ao invés de rezar ou orar, vou comprar uma PT 840 e carregá la com balas de prata, farei um colar de alho, benzerei com água benta e pendurarei no pescoço, e encomendarei com meus amigos caminhoneiros, caixas de rebites. Agora quero ver, se Freddy Kruegger, lobisomens ou vampiros me atacarão novamente."
Como as postagens aqui serão totalmente( nem tanto) diferentes do relato acima, fiz umas alterações no adágio e finalmente arranjei um nome para o meu novo blog; "Quanto mais eu penso, mais besteiras eu descubro."
Este é o meu mais novo projeto, que pretende fazer jus ao nome que recebeu. Portanto, se você é daqueles que só se interessa em ler artigos sérios, educativos, informativos e que podem acrescentar algo em seu intelecto, tem grandes chances de não gostar do que será postado aqui;
Mas se você, assim como eu, gosta de ler artigos sérios, educativos, informativos, mas não dispensa um besteirol de vez em quando, seja bem vindo.
Até a próxima postagem.
Marcelo Maia.