quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Facebook é o novo Orkut?



De acordo com o site Tecmundo, o primeiro serviço semelhante ao que hoje conhecemos por Rede Social é o CompuServe, lançado em 1969 nos (é claro) Estados Unidos.  Dezesseis anos depois, em 1985, a América On Line (AOL) disponibiliza para seus usuários, ferramentas que possibilitam a criação de perfis virtuais. Quase vinte anos depois, em 2004, são criadas as duas redes sociais mais populares até os dias de hoje: Orkut e Facebook.
Até 2010, o Orkut era a rede social com mais usuários no Brasil. E realmente, lá era possível encontrar usuários de todos os tipos. Usuário de crack, usuário de maconha, usuário de armas, usuário de baile funk, etc. Isso fez, com que usuários não usuários começassem a procurar uma nova rede social, pois alguns chegaram a ter medo de serem sequestrados pela tela do PC. Realmente, a coisa no Orkut ficou feia.
Muitos migraram para o Twitter, mas a maioria não gostou do limite de apenas 140 caracteres do microblogging e correu para o Facebook.  Na rede criada pelo pentelho milionário Mark Zuckerberg,os fugitivos do Orkut encontraram a paz em um ambiente decente, e não veriam mais fotos com pessoas fazendo churrascos e pagodes em cima da laje, meninos nadando em caixa d’água e férias em Guarapari ou qualquer outra praia capixaba. Agora, no Facebook, contemplavam lindas fotos de cachoeiras, praias do litoral nordestino e férias em belas pousadas. E o perfil dos usuários nada tinha a ver com os perfis orkuteiros. As preferências musicais do Facebook eram um misto de MPB, Jazz, Clássico, Blues, Rock n Roll.  Nada de Tigrão, Zezé Di Camargo e Luciano, Só Pra Contrariar e Eguinha Pocotó. Os fugitivos do Orkut estavam no Paraíso, mas não por muito tempo.
Conta a lenda que um facebooker começou a se relacionar com uma funkeira orkuteira (até 2010, essas duas palavras unidas era considerado pleonasmo). Ela estranhou o fato de seu novo namorado não possuir uma conta no Orkut. Durante dois meses, questionou a ausência do namorado na Rede Social (ela pensava que o Orkut fosse a única), mas ele sempre se esquivava do assunto. Porém ele, a cada dia, se sentia mais enfeitiçado pelos atributos da garota que treinava seus rebolados nos bailes funks e os colocavam em prática na cama do facebooker apaixonado. Foi com um desses rebolados em cima do hipnotizado rapaz, que ela conseguiu que ele confessasse que participava de uma rede social chamada Facebook.  Ela jurou para o seu namorado guardar segredo, mas assim que chegou em casa, postou a notícia no Orkut. Em pouco tempo, o Facebook estava lotado de orkuteiros. A merda estava feita.
Se tal relato é verdadeiro ou é mais uma lenda urbana, não sei dizer. O fato é que o Facebook, a partir de 2010 foi piorando a cada dia e algumas pessoas chegam a afirmar que ele ficou pior que o Orkut. Mas, é possível que haja uma rede social pior que Orkut?
             Infelizmente, sim e eu vou explicar o motivo. Muitos orkuteiros que migraram para o Facebook começaram a mentir em seus perfis para que fossem adicionados como amigos. Para isso, na escola fingiam ser amigos dos que tinham boas notas e os interrogavam sobre seus gostos musicais e o que liam. De repente, no Face aparecem fãs de Pingfroide, Diporco, Lerde Zé Pri, Berdovim, Maiza Mortes, Fravio Ventuinha, Caitando Nervoso, Djavania, entre outros.Surgem, também, leitores de Ninte, Carlos Drumão Diandrade, Janpô Sartri, Claris Lisbelula e muitos outros. E não estou exagerando; muitos escrevem, realmente, dessa maneira. Alguns nomes são quase impossíveis de decifrar.  Pelo menos, no Orkut eles se comunicavam com pessoas que entendiam seus dialetos.
               O Facebook também virou uma rede social, onde os usuários compartilham informações que interessam a todos e contribuem para um mundo melhor. É muito útil saber que uma pessoa está tomando café, acabou de comer feijoada, está no clube, chegou da igreja, terminou com o namorado ou em quem ela votou para ser eliminado no Big Brother e na Fazenda. Isso acrescenta tanto na vida do ser humano.
                 Até orações pessoais são postadas no Facebook, e acredito que nenhum religioso sério é o responsável por isso.  Quem faz isso são aqueles evanjegues e catolicuzões que se dizem evangélicos e católicos, mas só vão á igreja quando tem festa e comida de graça. Nos outros dias preferem ficar no Facebook postando suas orações, mas só depois de curtirem todas as fotos de seus amigos em clubes e bailes funk. Aqueles que são, realmente, católicos ou evangélicos com certeza não aprovam isso. Quem leva a sério a sua religião e\ou fé ora na igreja e em sua casa e usa uma rede social para divulgar eventos de sua igreja e ensinamentos de sua crença, de forma respeitosa.                
Do outro lado, estão os malateus.  Malateus são aqueles ateus malas que já devem ter sido evanjegues ou catolicuzões. Dizem que não acreditam em nenhum deus, mas usam o Facebook para divulgarem que Deus é o culpado pela fome na África, tsunamis, terremotos, queda de barrancos, assassinatos e até por terem broxado.  No fundo, o malateu não é ateu, é apenas um mala que se revoltou por que não conseguiu um cargo de confiança na igreja que frequentava.  Quem é ateu mesmo sabe que a fome na África é causada por conflitos étnicos e pelo descaso dos países desenvolvidos nessa questão. Tsunamis e terremotos acontecem por causas naturais. Ateus não acreditam em castigos divinos, ou maldições de feiticeiros, mas os malateus acreditam.                 
Mas nem tudo é ruim no Facebook. Ainda é possível encontrar vida inteligente na rede social, basta escolher quem será adicionado como amigo. Tem também dicas de bons livros, algumas  boas páginas de humor, divulgação de bons eventos,  notícias, serviços de utilidade pública( trânsito, pessoas desaparecidas,  datas de vacinação e concursos públicos, etc). Curta a página certa e ficará livre de publicações que não lhe agradam. Só há um problema: como explicar para aquele amigo ou parente mala, que você o bloqueou por que estava peneirando seu Facebook?

                  Até a próxima postagem.
                                                        Marcelo Maia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Eufemismo


De acordo com a Wikipedia, “eufemismo é uma figura de linguagem que emprega termos mais agradáveis para suavizar uma expressão. “ São aquelas palavras que aquele seu amigo, que você considera um pé no saco, usa para mostrar que lê o dicionário. Ou seja, eufemismo é um eufemismo para “viadagem”.
O eufemismo é usado, principalmente, em assuntos relacionados á morte. Você vai ao velório do Zé e pergunta a alguém como foi que ele morreu. E esse alguém responde que Zé FALECEU (geralmente o eufemismo é bem destacado, quando é dito) em um acidente de carro. Tem uns imbecis que, ainda, dão aquele sorrisinho irônico ao ouvir você pronunciar o “nefasto”( eufemismo para desgraçado) verbo morrer. Esse sorrisinho significa que ele considera que você é um analfabeto. Tem outros que preferem dizer que Zé PARTIU. E que diferença faz? Quer dizer, então, que Zé não morreu; ele FALECEU, PARTIR. Então Zé não está morto, está falecido ou pior ainda, partido. Se ele estivesse morto, estaria no bar do Antônio, tomando cachaça. Ou então comendo a mãe do imbecil que tenta corrigir quem diz “morrer” e não “falecer”. As duas palavras servem para expressar que um ser vivo deixou de ser um ser vivo. Mas, se Zé partiu ou não ou para onde foi, vai depender da crença de cada um.
O eufemismo, muitas vezes é usado por trabalhadores que sentem vergonha de sua profissão ou por quem pensa que tal profissão não é digna. Toda profissão é digna e o trabalhador deve se orgulhar de sua função. Todas são essenciais para o desenvolvimento e a organização social. E uma  curiosidade da minha parte; se você tem vergonha de sua profissão, mudar o nome dela vai mudar sua função e seu salário? Então não adianta.  Se você é lixeiro ou coletor de lixo, que diferença faz? Faxineiro ou auxiliar de serviços gerais, servente de pedreiro ou auxiliar na construção civil, balconista ou atendente de lanchonete. Todas têm sua importância  e não é o uso ou não de um eufemismo que vai mudar o seu papel na sociedade. Não estar satisfeito com sua profissão e salário, é um direito seu. Então, batalhe para mudar de função; faça cursos, um supletivo, tente  vaga em um concurso. Eufemismo não altera salário de ninguém.
Outro fator que nos obriga a usar eufemismos é o politicamente correto excessivo. Concordo que temos que tomar cuidado ao nos referirmos a quem quer que seja. Sou a favor do politicamente correto, porém já estão exagerando. Se alguém está acima do peso, não posso dizer que é gordo, pois é preconceito. Preconceito seria se eu o chamasse de rolha-de-poço, bola-de sebo, pança louca. Agora, gordo também se tornou pejorativo. O certo é obeso. Obeso e gordo é a mesma coisa. Bola de sebo já não é a mesma coisa que obeso. Imagine uma bola de sebo; que coisa nojenta. Nada a ver com quem está acima do peso. Agora imagine um gordo. Não vejo nada nojento nisso.
A quantidade de eufemismos que o politicamente correto exige é imensa. Eu vou citar apenas alguns:  negro é afro descendente,  gay é homossexual, e deficiente é o eufemismo para surdo, mudo, paraplégico, tetraplégico,aleijado, cego, esquizofrênico ou até cara que perdeu a unha do pé. Espera aí; eu disse, no início, que eufemismo se consiste em usar um termo que suaviza uma expressão. Desde quando o termo deficiente suaviza alguma expressão? Deficiente é o contrário de eficiente, é a pessoa incapaz de produzir algo ou realizar tarefas corretamente. Desde quando um surdo, um cego, um tetraplégico, um esquizofrênico ou um paraplégico são deficientes? Eu prefiro que digam que sou aleijado a ser chamado de deficiente.
Tem eufemismo até para quem deveria ser chamado de coisa pior. Criminoso com menos de 18 anos é menor infrator. Se o safado estupra, mata, rouba e tem 17 anos,11 meses e 29 dias ele não é estuprador, assassino e nem ladrão. É menor infrator. E até para o maior que rouba existe eufemismo. Tem ladrão que diz que é desviador de bens alheios. E o rico que rouba é cleptomaníaco e se for político é corrupto.
Os mundos religioso e anti religioso, também possuem seus eufemismos. Os protestantes, que eram chamados de crentes, quando descobriram que os católicos  e até o diabo também creem em Deus ( só eles que não sabiam disso) repudiaram o termo e agora são evangélicos. Esse termo sugere que quem o usa é um seguidor dos evangelhos, onde se encontra os ensinamentos de Cristo. Mas, os católicos também se dizem seguidores de Cristo e dos evangelhos. E não é nos evangelhos que ensina a dar a outra face, quando se toma um tabefe em um dos lados? Não é isso que eu vejo Vítor Belfort fazendo no UFC. Daqui a pouco, os evangélicos vão ter que arrumar outro termo. Eu poderia até sugerir alguns, mas prefiro evitar problemas.
No mundo anti religioso, os não crentes já cansados de ouvirem que ateu não existe, o que, para eles, significa ser a imagem e semelhança de Deus, adotaram o termo ateísta. Como, por enquanto, só eles e os usuários crentes do Yahoo Respostas sabem o que isso significa, voltaram a existir. Para ateu meia colher, há o termo agnóstico. O agnóstico é um cara que corta dos dois lados (não desse jeito que você está pensando) e seus ídolos são Silas Malafaia e Richard Dawkins. O agnóstico vai á igreja agradecer a Deus por ser um ateu fiel. Mas isso é assunto para outra postagem.
O assunto campeão de eufemismo é, sem dúvida, o sexo. Puta que o pariu( qual o eufemismo para isso?), como as pessoas amam e odeiam tanto assim a mesma coisa, o sexo. Ao mesmo tempo que se deliciam com o ato de se reproduzir( eufemismo para meterola), sentem tanto nojo que começam a mudar o nome de tudo que está relacionado a algo tão comum. 
Quando a palavra pênis começou a criar nojo, passaram a chamá-lo de pinto. Afinal, o nome lembrava um bichinho bonitinho, amarelinho.  Porém, com o tempo o termo se tornou mais usado para se referir áquela coisa de cabeça vermelha pendurada entre as pernas do homem e que na maioria das vezes cheira mal. Se a palavra pinto é pronunciada, a primeira imagem que vem á cabeça não é a avezinha amarelinha e gutch gutch. Quando alguém quer usar a palavra pinto para se referir ao filhote da galinha, tem que usar um complemento ou uma frase que demonstra do que está falando. E mesmo assim, sempre terá alguém que dará aquela risadinha ou fará uma piada. Resultado: para devolver a exclusividade do nome ao bichinho amarelinho, não se pode mais dizer pinto para se referir ao pênis, que também já é um termo ultrapassado. O certo agora é "orgão genital masculino". Mas, se pênis, pinto, cacete, caralho e órgão genital masculino são termos que se referem á mesma coisa e por isso trazem a mesma imagem á mente( vai variar o tamanho e a cor dependendo de quem e em quem se está pensando), que diferença fará? Ou sua mãe ou sua tia pensa que órgão genital é um instrumento musical. Se bem que dependendo como usa, pode até ser.
Com a vagina é a mesma coisa. Ou melhor, para ela há muito mais nomes que para o pênis. Boceta, buceta, perereca, periquita, perseguida, prexeca, xoxota, xana, e muitos outros. Mas dizem que o certo é dizer órgão genital feminino. 
Eu fico imaginando o eufemista xingando. Ele bate o dedão num móvel e grita:OH, ÓRGÃO GENITAL FEMININO! OH, ÓRGÃO GENITAL MASCULINO! Ou então, tropeça no brinquedo que o filho deixou no chão e grita: QUEM DEIXOU ESSE SÊMEN DE CARRINHO NO CHÃO? VÁ PARA A RESIDÊNCIA DO ÓRGÃO GENITAL MASCULINO! 
Eufemismo é um "órgão genital no orifício no final do intestino grosso" ( eufemismo para pau no cu). Mas preste atenção, pois nem sempre quando usamos palavras formais e termos suaves, estamos praticando o eufemismo. Exige se a linguagem formal em textos escritos como uma redação, uma monografia, uma ocorrência policial( um soldado da PMMG fez uma em forma de poesia e se ferrou), um romance, um ensaio filosófico, preenchimento de curriculum, etc. Também é necessário uma linguagem mais erudita em palestras, discursos, entrevistas, debate. Porém no dia a dia, entre amigos, namorados, parentes, o melhor é usar a linguagem popular mesmo. Eu disse popular, não a linguagem analfabeta tipo “a gente somos, nois vai, eu se ferrei”. Essa é pior que eufemismo.

Até a próxima postagem.
                                    Marcelo Maia