quinta-feira, 20 de junho de 2013

A Cura Gay

Meu sonho é morar em um país onde a taxa de violência é baixa ou quase nula, o sistema de saúde é capaz de atender toda a população, doenças como dengue e febre amarela foram extintas, a educação é excelente e qualquer aluno do ensino médio sabe a diferença entre “mais” e “mas” e quanto é vinte por cento de cem. Que sonho lindo!
 Mas parece que alguns deputados brasileiros tomam alucinógenos e acreditam que vivem nesse país dos meus sonhos. Para eles, o Brasil é realmente um país abençoado por Deus, onde tudo é divino, tudo é maravilhoso e as manifestações que estão acontecendo por toda a parte é realmente por causa de vinte centavos.
Para esses deputados, o país está tão bem que o único problema, além dos vinte centavos, é como e com quem a população brasileira está transando. Não, eles não estão preocupados com a prostituição infantil, com a pedofilia, com a exploração sexual ou com o tráfico de mulheres. Para eles, esses problemas só existem em novelas da Glória Perez. A preocupação deles é o que adultos cientes de seus atos estão fazendo na cama com consentimento das partes envolvidas no ato.
Na última terça-feira (dia 18) foi aprovado na Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara, presidida pelo deputado federal e pastor metrossexual Marcos Feliciano (PSC-SP), o projeto de lei conhecido como “Cura Gay”, de autoria do também deputado federal e também pastor João Campos (PSDB-GO). Esse projeto derruba as normas do Conselho Federal de Psicologia que proíbem que o homossexualismo seja tratado como doença. Ou seja, de acordo com o projeto “Cura Gay” o homossexual pode ser considerado um doente. . Assim que vi essa notícia, fui até a cozinha olhar a folhinha pregada na parede para conferir se estamos mesmo em 2013 ou se as datas do meu PC e do celular estavam adiantadas 200 anos, pois cheguei a pensar que estávamos em 1813, apesar da tecnologia atual.
Parece brincadeira, mas não é. Em um país onde o sistema de saúde, tanto público quanto particular, não é capaz de tratar de forma digna, pacientes que estão realmente doentes, os imbecis estão preocupados em considerar o homossexualismo como doença.
Eu fico imaginando, o cara saindo de casa ás quatro horas da manhã e indo para a fila da UPA mais próxima de sua casa(que muitas vezes não é tão próxima assim). Oito horas depois de ficar em pé nessa fila, ele é atendido pela enfermeira da triagem, que o pergunta qual é o problema e ele responde: “estou com muita vontade de dar o rabo”. Ela, então, coloca uma pulseira amarela no braço do rapaz e o manda esperar que ele será atendido pelo clínico geral, que certamente o encaminhará para o psicólogo ou urologista (que pode até resolver o “problema” com o dedo).
E o que vai ter de hétero fingindo ser homo só para pegar atestado médico para justificar sua falta na segunda feira, não vai ser brincadeira.  A pessoa passa o sábado e domingo enchendo a cara e acorda ressaqueado na segunda, sem ânimo algum para trabalhar. Vai ao médico e diz que transou com uma pessoa do mesmo sexo no fim de semana e que ainda está com vontade de pegar outros (as).
            Após um fim de semana com muita festa e bagunça na casa toda, a madame recebe, na segunda, ás seis da manhã, um telefonema da empregada dizendo que não irá trabalhar, pois está  apaixonada por uma amiga e vai procurar um médico.
            E aquele marido que está saindo com a colega de serviço e chega a casa na madrugada com cheiro de perfume feminino e manchas de batom na camisa e encontra sua esposa na sala o esperando com um porrete na mão. Depois do projeto aprovado, ele pode dizer a ela que estava com um travesti e como isso é doença ela deve leva-lo ao médico e não descer lhe a pancada.
            Os cineastas brasileiros podem também aproveitar desse projeto e fazer um remake do filme americano Stallone-Cobra, estrelado por Sylvester Stallone em 1986. Na versão brasileira, Jackson Antunes é um bom nome para interpretar o policial  Marion Cobretti, mais conhecido como Cobra. Na versão brasileira, Cobra será policial e médico. Além da famosa frase da versão americana (se o crime é uma doença, eu sou a cura), ele dirá também: se o homossexualismo é uma doença, eu sou a cura.
            E por falar em cura, a indústria farmacêutica vai aproveitar da imbecilidade desses deputados e passará a fabricar remédios contra o homossexualismo. Afinal, quando as terapias com psicólogos e analistas e os exorcismos não derem resultados, o jeito vai ser partir para a química. Para os homens vão criar o “Navagina( o nome é para que eles se lembrem onde devem enfiar o pinto)” e para as mulheres o remédio ideal será “Nãovagina”( na verdade será o mesmo genérico do remédio masculino, o nome só muda para lembrá-las onde não relar a tcheca).
            Eu fico pensando o que se passa na cabeça desses deputados, não só os da Comissão de Direitos Humanos, mas de todos os demais. A inflação está voltando, os sistemas, educacional e de saúde são horríveis, a criminalidade está cada vez pior e eles estão preocupados em curar o que não é doença e nem prejudica a ninguém.
Se a religião deles é contra o homossexualismo, tudo bem, mas que seja contra só para os seguidores dela. Não venham levar tais preceitos para a política. O que o povo espera de um político é que este trate de problemas sociais e não religiosos. Quem sente que está com problema espiritual deve procurar uma igreja, centro, templo. Na urna queremos resolver nossos problemas sociais e se os políticos não estão lembrando quais são, as manifestações estão aí para lembrá-los e que continuem até que eles recuperem totalmente a memória.
Abraços e até á próxima.
                                      Marcelo Maia



            

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