sexta-feira, 10 de maio de 2013

Dia das Mães


Para esta semana, eu estava elaborando uma crônica sobre um bando de imbecis que se intitulam roqueiros e criam páginas no Facebook usando o nome do Rock em vão. Nas postagens desses, erroneamente autodenominados, roqueiros se encontra mais hipocrisia e moralismo que nas pregações de alguns líderes religiosos.  Já estava com o texto quase pronto, quando me lembrei que no próximo domingo, dia 12, se comemora o Dia das Mães.
Resolvi, então, deixar os roqueiros moralistas para a próxima semana e, hoje, escrever sobre aquela que nos carregou, geralmente, por nove meses na barriga, sofreu as dores do parto para que tivéssemos nosso primeiro contato com as luzes deste mundo, limpou nossas bundas, nos deu banho, acordou nas madrugadas para nos alimentar, passou vergonha nas reuniões de pais e mestres, quando as piores notas e o pior comportamento da escola foram os nossos, e, até hoje, diz que somos lindos. 
Concordo que dia das mães é todo dia, afinal elas (me refiro ás mães de verdade) estão sempre ao nosso lado, mesmo á distância, porém acho justo que haja um dia especial para elas e eu tenho certeza que ninguém homenageia sua mãe todo dia.
E todo ano, as mães esperam um Dia das Mães diferente dos anteriores, porém, a maioria delas, sempre enfrenta a monotonia de todos os anos.  Monotonia, que descrevo a seguir através de um pequeno conto, fictício e real, ao mesmo tempo.
No segundo domingo de Maio, ao invés de acordar às 11 horas com um lauto café da manhã na cama, preparado pelos filhos, seu sono é interrompido ás seis e meia pelo maldito despertador e pelas cutucadas do marido que a avisa que já está na hora dela se levantar. E sabe para que? Para arrumar a casa e preparar o almoço especial do Dia das Mães, pois seus filhos casados irão visita-la e os solteiros acordam depois do meio dia.
Ela se levanta, e o marido continua a roncar. Após usar o banheiro e lavar o rosto, já pega a vassoura e começa a varrer a casa. Limpa tudo, exceto os quartos onde os folgados estão a aproveitar seus milésimos sonos e mais tarde acordar procurando o café da manhã.
Após a limpeza, começa a preparar o almoço. Faz tudo com amor e dedicação e, ao mesmo tempo, pensa que esse ano ganhará presentes que compensem o esforço. Afinal, ela merece abraços e carinhos, mas quem dispensa um bom presente?
Quando o almoço está quase pronto, o marido e os filhos solteiros acordam e procuram pelo café. A homenageada do dia, então, coa o café e arruma a mesa. Após encherem as panças de pão, bolo e café, se retiram da mesa e nem sequer são capazes de limpá-la ou lavar os copos. A filha diz que se não estivesse de ressaca, ajudaria a mãe. A mãe reclama um pouco, mas ao perceber que é em vão, prefere se calar.
Algum tempo depois, chega o filho mais velho com sua esposa e as duas crianças. Ela os recebe com abraços e sorrisos. O filho lhe entrega o presente ainda embrulhado, ela agradece e diz que só abrirá após o almoço. “O que será?”- pergunta a si mesma já desconfiada, mas, ao mesmo tempo, torcendo que seja algo diferente.
Em seguida chega a filha com seu marido já meio chapado e os três filhos. Mais abraços e mais UM presente. Ela agradece e com um sorriso, diz lhes para ficarem á vontade e aguardarem, pois o almoço já está quase pronto. E eles se sentem tão á vontade, que ligam televisão, o micro sistem e bagunçam a casa inteira. Crianças correndo dentro e fora da casa, o volume da tevê tentando disputar com o do micro sistem, que por sua vez disputa com os gritos da meninada.
Chega o grande momento do dia; a homenagem que se consiste no almoço preparado pela própria homenageada e a “abertura” dos presentes. Mas antes tem o discurso do marido, já lotado de cerveja, citando trechos de músicas do Roberto Carlos, Agnaldo Timóteo e de algumas duplas sertanejas. E o presente? Todo ano ele diz a mesma coisa, que está meio apertado, mas no ano que vem vai dar a sua amada o que ela merece.
Depois de aguentar o bafo e a declaração de amor do marido, ela ainda tem que ouvir o genro se justificando que não comprou presente para a sogra porque é contra o consumismo e o capitalismo (mas na hora que está enchendo a pança de Brahma, Coca Cola e Chester Perdigão comprado pelos sogros, cadê a fidelidade ideológica?) e a nora se queixando que não pode trabalhar, pois tem que cuidar das crianças.
É hora de abrir os presentes; o primeiro a ser aberto foi dado pelo caçula, de doze anos que comprou com o dinheiro dado pela própria mãe. Ela abre ansiosa e adivinhe o que é? Um prato que, no máximo, custou três reais. Ela constata, então, que o moleque embolsou doze reais, pois ela havia lhe dado quinze. Ela ignora, pois não quer estragar a comemoração.
            Em seguida, ela abre o embrulho dado pela filha baladeira, que para curar a ressaca da noite anterior está bebendo desde o momento em que acordou. A mãe fica esperançosa, pois pelo tamanho e pelo lindo papel de presente deve ser alguma coisa boa. Mas, ao abrir se depara com uma caixa contendo uma... PANELA DE PRESSÂO!
            Ela dá um sorriso forçado, agradece á filha pelo “maravilhoso” presente e já sem esperança abre os outros dois dados pelos filhos casados. A filha lhe dá uma batedeira e o filho, aproveitando a promoção da Ricardo Eletro, presenteia a mãe com uma sanduicheira.
            Isso é uma sacanagem com as mães. Todo ano, a maioria delas é presenteada com utensílios para o lar e não com algo para uso pessoal. Quando eu critico essa atitude, muitos dizem que eu estou sendo radical e que as mães gostam desses presentes e ficam felizes quando os ganham.
            Não, elas não gostam e só não reclamam por consideração, para não magoar os filhos imbecis que as veem apenas como uma serviçal do lar e não como uma mulher, uma mãe, um ser humano que tem vida além do lar.  É claro, que ser serviçal do lar é exercer uma função nobre, necessária e digna. Porém, o Dias das Mães é o dia das mães e não das serviçais.
            Muitos filhos dão presentes para a mãe, que serão usados por eles mesmos.  O menino deu um prato e a filha, uma panela de pressão. Eu pergunto: “a mãe irá guardar esses “belos presentes” no seu guarda roupas?” “Irá usá-los, quando for á uma festa, á um baile ou á casa de uma amiga?”
            E a sanduicheira e a batedeira? Ela usará quando for ao médico ou para procurar um emprego? Arrumará o cabelo ou se depilará usando um dos dois?
            Temos que saber diferenciar presente para o lar do presente para a pessoa. Quer dar um presente para o lar, tudo bem, mas tem outros dias para isso. No próximo domingo, dê um presente para a sua mãe e não para a casa dela que, talvez, seja a sua casa também. Ou a leve para ver uma peça de teatro, um filme no cinema (tem que dizer onde, senão é perigoso alguém comprar quatro Dvd’s piratas por dez reais e dar á mãe), em um parque, num concerto musical ou num forró. O importante é que ela se sinta bem de verdade, pelo menos no dia dela. Não venha com esse papo de que a grana está curta, pois, muitas vezes, um presente para ela sai muito mais barato que um presente para o lar.
Um bom Dia das Mães e até a próxima semana.
                                                             Marcelo Maia


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